Construção da Nova Sede
IDEIA
Em 1976 já o número de executantes da Banda Nova ascendia a cerca de quarenta e notava-se um afluxo de aprendizes, como nunca antes se verificara, constituindo preciosa matéria-prima que era imperioso aproveitar e desenvolver e que, sendo aproveitada, maior número de músicos criaria.
Para mais, as actuações nas romarias do Norte do País, mormente na região do Minho, tinham-se tornado uma realidade na vida da colectividade, havia já alguns anos. A Banda Nova cada vez mais se Iá implantava e não podia perder terreno nesta parte do território, onde, seguramente, as filarmónicas eram e continuam a ser mais apreciadas e, por norma, actuam as mais afamadas do País.
Em consequência das boas actuações conseguidas ao longo de vários anos nos arraiais minhotos, viria a "Pinha", pouco mais tarde, em Abril de 1978, a ultrapassar pela primeira vez a fronteira de Portugal, deslocando-se à cidade de Tuy, na Galiza, Espanha, para participar nos festejos em honra de San Telmo, naquela que foi a primeira de várias actuações que, ao longo dos anos, veio a ter no país vizinho.
No entanto, a clara expansão de ano para ano indicava que havia que desenvolver um trabalho permanente e persistente, com instalações adequadas e melhor organização, que permitisse fortalecer a Banda com elementos "da casa" devidamente preparados e evitar, assim, ter de recorrer a reforços, normalmente vindos das bandas militares e paramilitares, para actuarem em concertos de maior responsabilidade, como foi usual e dispendioso nessa época.
Para tal, eram manifestamente insuficientes, por acanhadas, as instalações então utilizadas, junto ao Largo de Nossa Senhora da Saúde, compostas apenas de uma pequena sala de ensaios sem comodidade, condições acústicas ou instalações sanitárias e que não constituía incentivo para aprendizes e músicos.
Era necessário dotar a Banda de instalações modernas e adequadas que permitissem o funcionamento de uma escola de música, sala de ensaios com boas condições, serviço de bar para convívio entre músicos, associados e público, em geral, garantindo também receitas e salão de festas para realização de eventos culturais ou de convívio.
Acresce que a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Fermentelos, em 14 de Setembro de 1975, tinha deliberado ceder uma parte do terreno do Largo de Nossa Senhora da Saúde, localizada na sua parte norte, ao Conselho Desportivo da Freguesia de Fermentelos, para lá ser implantado um ringue desportivo polivalente e seus anexos.
O ringue, a ser construído, localizar-se-ia precisamente em frente da sala de ensaios da Banda Nova, o que prejudicaria os seus trabalhos sempre que coincidissem com manifestações desportivas lá realizadas.
A Banda Nova, informalmente, já tinha contactado a Comissão Administrativa para cedência de um terreno junto da Capela de Nossa Senhora da Saúde, onde agora está o jardim com o busto de Jeremias Brigeiro, para construção de uma sede capaz, comprometendo-se, em troca, a entregar a que possuía ao erário público. Ora, perante a nova conjugação dos factos apresentou, então, de forma oficial aquela Comissão, em reunião de 31 de Julho de 1976, uma proposta que, no essencial, consistia no seguinte:
Solicitar auxílio à Comissão para a cedência de um terreno público para construção de uma nova sede, cedendo a que possuía ao erário público ou ao Conselho Desportivo pelo valor que lhe fosse atribuído em avaliação feita por uma comissão paritária. Para resolver esta questão, convocou a Comissão Administrativa uma sessão pública para 6 de Agosto de 1976, na qual, os presentes votaram unanimemente pela cedência de um terreno junto à Capela de Nossa Senhora da Saúde para a nova sede da Banda, obrigando-se esta a ceder a sede, de que era titular, à Junta de Freguesia ou ao Conselho Desportivo pelo valor atribuído por dois louvados designados paritariamente.
Em 21 de Agosto de 1976, aquando de uma reunião ordinária da Comissão Administrativa, várias dezenas de Fermentelenses manifestaram a sua discordância em relação à cedência do terreno para a sede da Banda.
Em 4 de Dezembro seguinte, durante uma assembleia pública convocada pela Comissão Administrativa, foi lido pelo seu Presidente um ofício da Câmara Municipal de Águeda que aconselhava a suspensão das obras na sede da Banda Nova. É que, havia oposição às mesmas de grande parte da população. Os ânimos exaltaram-se na freguesia e a dita Comissão deliberou aceitar o conselho da Câmara, suspendendo as obras que entretanto tinham começado e se encontravam na fase de abertura de caboucos e demarcação com estacas, entretanto, arrancadas pela calada da noite.
O ANO DA GREVE - 1977
Com esta decisão da autoridade administrativa da freguesia foi posto ponto final na construção da nova sede no local inicialmente previsto.
A reacção dentro da Banda não se fez esperar. Para os músicos, a situação era interpretada sob dois cenários: o de uma derrota e o do abandono da causa por parte dos simpatizantes, que não levantaram a voz perante a proibição, uns por comodismo e outros por concordância.
E foram os músicos que em reunião para tal convocada, em Dezembro de 1976, decidiram que a "Pinha" não participaria nos festejos que, por tradição, costuma abrilhantar na freguesia enquanto não fosse autorizada a construir a sua nova sede.
A decisão tomada foi levada por diante e a Banda Nova, no ano de 1977, não participou nas festas em honra do Mártir São Sebastião, em Janeiro, de Santo António, em Junho, e na procissão da festa do Senhor, em Março, fazendo a primeira greve da sua história, a nível de actuações em Fermentelos.
SOLUÇÃO DO PROBLEMA - CEDÊNCIA DE TERRENO PARTICULAR PARA CONSTRUÇÃO DA SEDE
Todos estes acontecimentos mexeram com a freguesia em geral e, especialmente, com os simpatizantes e amigos da Banda Nova que tentavam, a todo custo, encontrar alternativas à situação inédita e desagradável que se lhes deparava. Para eles, a construção de um imóvel para nova sede, com as instalações que cada dia que passava mais se tornavam necessárias, era ponto assente e... a "Pinha Acesa" tinha de voltar às ruas de Fermentelos!
Os vários amigos da Banda que pensavam e procuravam alternativas para a construção da futura sede, já que no referido terreno público não o poderia ser, conseguiram que os casais Arménio Pires Martins / Maria Florinda Pires Nolasco e António Nuno Matias Condesso / Maria Cardoso do Evangelho cedessem gratuitamente duas parcelas de terreno contíguas para nelas ser implantado o edifício que veio a nascer mesmo ao lado donde estava, inicialmente, destinado.
O conhecimento pela população de que a Banda Nova tinha conseguido um terreno particular para a construção da nova sede foi determinante para a acalmia da freguesia e os apoios necessários ao empreendimento foram surgindo praticamente de todos os quadrantes, com especial realce para muitos simpatizantes que se opuseram à construção no terreno público e, agora, muito deram de si para que a obra viesse a ser uma realidade.
Finalmente, com a garantia de terreno e apoios monetários e de trabalho, foram lançadas mãos-à-obra.
A "Pinha" era então gerida por uma "Comissão Administrativa" que tinha como presidente o maestro Prof. Duarte Neves e como restantes elementos os seguintes músicos: Joaquim Seabra Cardoso, João da Ana, António Marques Pepino, António das Neves Moreto, José Augusto Rainho Estima, Agostinho Duarte Fernandes, Armando Martins Ferreira, Augusto Simões Loureiro e João das Neves Moreto.
Em reunião de 12 de Novembro de 1977 esta Comissão deliberou constituir uma "Comissão de Execução das Obras" composta pelos seguintes elementos:
- Encarregado geral das obras: Artur Pereira das Neves
- Secretário: Joaquim Seabra Cardoso
- Tesoureiro: Constantino Marques Duarte
- Vogal: João da Ana

