Constituição da Associação
Nesta fase da vida da colectividade, os acontecimentos precipitaram-se vertiginosamente ao ponto de, em catorze dias, ser posta em prática a conjectura que, desde o início do ano, pairava nas mentes de alguns músicos e simpatizantes com visão mais rasgada, ou seja, constituir a Banda Nova de Fermentelos em Associação Cultural e Recreativa para que fossem criadas bases sólidas para enfrentar um futuro que iria ser mais exigente. O País experimentava a transformação política, social e económica resultante da Revolução de 25 de Abril de 1974.
Na vertente económica, o aparecimento de inúmeras pequenas e médias empresas, mercê da maior liberdade de concorrência, denunciava o fortalecimento da actividade empresarial. Isso iria reflectir-se na parte cultural e, no que à Banda Nova interessava, nas colectividades artísticas. Estas, para poderem demarcar o seu espaço, impondo-se na nova sociedade, não podiam manter-se limitadas ao modo puramente amador e, digamos até, artesanal como funcionavam.
Os músicos reuniam apenas para ensaiar e participar nos serviços da Banda, não havendo local para conviverem entre si ou com os simpatizantes.
Quando era necessário comprar fardamentos ou instrumentos novos, concertar os existentes, bem como adquirir partituras, os recursos eram sempre os mesmos: retirar dinheiro que a Banda cobrava pelos serviços efectuados e que, por justiça, deveria ser repartido pelos músicos e recorrer a donativos dos simpatizantes.
Ora, o futuro não se iria compadecer com esta situação e, para enfrentá-lo, além do projecto de construção de instalações modernas e rentáveis, já em marcha, era ainda necessário:
1) Integrar os simpatizantes ou quaisquer outras pessoas na colectividade, criando associados que passariam a participar diretamente na vida e destino da Banda Nova e que, com o pagamento das quotas, garantiriam receitas mensais ou anuais certas;
2) Enquadrar a Banda num organismo devidamente estruturado no aspecto jurídico que, como pessoa colectiva, ocupasse o lugar que por direito a sociedade lhe reservasse, podendo recorrer às entidades públicas e privadas, reclamando os seus direitos ou recorrendo aos seus préstimos.
Assim, tomando uma medida revolucionária na época, em 26 de Novembro de 1977, reuniu a Assembleia Geral da Banda Nova de Fermentelos, na sua sede, com a seguinte ordem de trabalhos: "Designar a Comissão Instaladora da 'Associação Cultural e Recreativa Banda Nova de Fermentelos'".
Tendo em conta os múltiplos trabalhos a realizar foram constituídas, nessa reunião, três comissões integradas pelos seguintes elementos:
Comissão Administrativa
Artur Rodrigues da Rosa, Artur Pereira das Neves e Artur Carvalho de Vasconcelos
Angariação de Fundos e Sócios
António Pepino das Neves, Gabriel Pires Morais, João Marques das Neves, João Simões Morgado, José Simões Fernandes, Jeremias Simões Nolasco, Acácio Nunes Ribeiro, Artur Roque Pires, Augusto Oliveira Neves, Artur Dias dos Reis, António Alves Duarte e Adolfo Morgado Neves
Obras
Artur Pereira das Neves, José Ferreira das Neves, José Augusto Rainho Estima, Augusto Timóteo da Rosa, Fernando Lemos das Neves, Joaquim Seabra Cardoso, João da Ana, Valdemar Rodrigues da Cruz e Constantino Marques Duarte
Embora ainda não legalizada, a verdade é que, na prática e de imediato, começou a funcionar como Associação, angariando sócios e iniciando, passados poucos dias, a construção do imóvel para a sua sede, no terreno oferecido junto da Capela de Nossa Senhora da Saúde, com projecto e planta da autoria do ilustre fermentelense Engenheiro Nuno Martins e por ele oferecidos à Associação.
A construção foi conseguida com o envolvimento da grande maioria dos Fermentelenses, simpatizantes da Banda Nova ou não, residentes no País ou emigrantes, bem como de pessoas oriundas de outras localidades e, ainda, de diversas empresas, tudo irmanado numa comunhão de esforços em que, com dádivas monetárias, trabalho, acompanhamento das obras, ofertas de materiais, deram corpo as instalações que, em boa hora construídas, são monumento ao querer, determinação e orgulho das gentes da Banda Nova.
Não sendo fácil enumerar todos os que deram algo de si, muito ou pouco, para que o edifício se tornasse realidade, houve um associado que com o seu dinamismo e afoiteza, conseguiu que grandes quantidades dos materiais aplicados na obra fossem oferecidas pelas empresas produtoras e fornecedoras, o que levou à poupança, pela Associação, de muitos milhares de escudos. Esse associado foi Joaquim Nunes Matias Condesso, infelizmente já falecido.

